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O que sobra para a Natureza?

E aí você decide aproveitar o fim de semana com tempo bom para dar um passeio perto da natureza, ou até mesmo numa trilha. E, claro, você leva um lanche para repor as energias gastas com a caminhada. Lanche leve, como uma fruta, barra de cereais, coisas do tipo. Como você é uma pessoa consciente, sabe que o seu lixo deverá ser trazido de volta, pois o mínimo impacto deve ser uma prática comum entre os amantes da natureza.

Você já deve ter lido aqui no site e em inúmeros outros lugares que a natureza é patrimônio de todos e cuidar dele hoje garantirá que nossos descendentes possam usufruir do mesmo amanhã. A beleza dos cenários naturais que tanto nos deslumbram agora deverão deslumbrar outras pessoas no próximo século. Lutamos para isso. 

Mas você levou na mochila uma banana, ou uma maçã. Sobre o pacote de biscoito e a garrafinha de água vazia é sabido que tem que levar de volta, pois "se pode levar cheio, pode trazer de volta vazio, é mais fácil". Excelente. Mas a casca de banana e o resto de maçã podem ser jogadas no solo, pois é lixo orgânico e ajudará a adubá-lo. Correto?

Errado. Sua casca de banana e seu resto de maçã, embora realmente sejam orgânicos, não devem ser usados como adubo na natureza. Podem ser enterradas no seu jardim, na sua casa para compostagem, se você quiser, mas nunca em ambiente natural protegido. Maçã e banana, como tantas outras frutas, não são espécies nativas da Mata Atlântica (vegetação dominante na maioria das nossas Unidades de Conservação). E colocar seus restos no ambiente natural visitado é introduzir o resto de uma espécie exótica ao meio. Exagero? Não, pois uma casca de banana pode levar de 2 meses a 2 anos para se decompor (veja: http://www.lixo.com.br/content/view/146/252/)! Além disso, mesmo que enterre, animais podem desenterrar a sobra e comer. Se não enterrar, eles poderão comer. E então você terá interferido na dieta alimentar de um animal silvestre. As consequencias podem ser desastrosas. Sabe-se que quando animais silvestres comem alimentos comuns aos humanos podem desenvolver doenças tipicamente de humanos, dentre outros impactos negativos. 

Lembra daquela frase "cada macaco no seu galho"? Na natureza isso é imperativo em todos os sentidos. A natureza é perfeita em si, mesma. Tem seu ciclo natural de vida e renovação da vida. Ela produz seu próprio alimento. Não precisa do empurrãozinho humano, não. Animais predadores existem para controlar superpopulação de animais. O tronco de uma árvore que tomba gera microsistemas que alimentam a floresta. A árvore que cai pode dar lugar a outra. Não interfira! Deixe a natureza seguir seu curso.

Claro, às vezes, por ameaças externas, a natureza precisa de ajuda de especialistas como, por exemplo, salvaguardar espécies em extinção ou de importante equilíbrio para o ecossistema. Você é um especialista? Mesmo que seja, está dentro de um programa seriamente estabelecido na área em que está visitando para saber se deve agir, como e por quê? Se a resposta for negativa, a melhor forma de ajudar a natureza é: não interferir. 

Portanto, pegue as sobras de seus alimentos e leve de volta com você. Nem pense em jogar as sementes de frutas no meio ambiente. Tenho certeza que você, leitor, é uma pessoa que quer contribuir para um mundo melhor e que quer fazer o que é correto para conservar a natureza. Precisamos nos unir para isso. Precisamos divulgar as informações corretas. Somente com educação ambiental poderemos preservar o patrimônio natural, um bem público que gera qualidade de vida para todos nós. 

Abraços,

Vivi Trilhas

Foto tirada por Vivi Trilhas em 27/05/16, na pista Cláudio Coutinho, na Unidade de Conservação Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca.

Quem é mais selvagem?

(vista da Pedra da Tartaruga - PNM de Grumari)

 

Em 27 de Janeiro de 2016 tive a oportunidade de visitar um dos lugares mais bonitos e isolados do Rio de Janeiro, onde tem em abundância o que gosto: natureza selvagem. É um lugar de beleza cênica espetacular e faz parte da Trilha Transcarioca que começa justamente em Barra de Guaratiba. Estou me referindo ao Parque Natural Municipal (PNM) de Grumari criado pelo Decreto Municipal n º 20.149/2001.

Quando eu disse isolado não significa que não seja freqüentado, mas fica bem longe da cidade. E compreende também as praias selvagens do Rio de Janeiro tais como: Perigoso, do Meio, Funda, do Inferno. É um lugar paradisíaco que, não importa o ângulo, será sempre magnífico. Nesse dia eu visitei apenas a Pedra da Tartaruga, Praia do Perigoso e do Meio. A do Meio estava muito agitada e com redemoinho, embora ela seja muito mais brava do que estava  nesse dia. Já a do Perigoso (sempre brava também) estava muito calma para banho e foi um dia de muito lazer.

O PNM de Grumari protege uma área importante remanescente da Mata Atlântica e abriga espécies endêmicas de animais e ameaçadas de extinção. Uma das muitas recomendações contidas no decreto que criou o parque é: desenvolver atividades “na praia, sejam elas de pesquisa, educação e interpretação ambiental ou de visitação, implementadas de acordo com os respectivos programas e de acordo com as normas para a Área de Visitação”. O decreto também recomenda que os visitantes estejam “bem informados e orientados”, mas quando visita o local além da grande beleza cênica você encontra pessoas alheias a qualquer tipo de conscientização sobre conservação ambiental.

O Decreto menciona um “Programa de Interpretação e Educação Ambiental” com o objetivo de “promover e organizar experiências educativas aos visitantes do PNM de Grumari e PNM da Prainha, levando-os à compreensão do meio ambiente, de suas inter-relações, da história e cultura da região, bem como a sensibilização para com a conservação dos Parques”, cujos objetivos específicos compreendem:

“a) Estimular o visitante a conhecer e refletir sobre a dinâmica dos ecossistemas, as relações existentes entre seus componentes, enfatizando as relações entre o homem e a natureza.

 b) Ensinar ao visitante os procedimentos corretos a serem adotados na visitação de uma UC”

No entanto quando se observa o comportamento dos visitantes o que se vê não é isso. Há lixos em vários cantos, entre plantas e pedras. Garrafas de água vazias, latinhas de cerveja e refrigerantes jogadas. O mais difícil foi feito: carregar latas e garrafas cheias. Não seria mais fácil levá-las de volta vazias? No dia da minha visita encontrei várias barracas de camping montadas e muita desordem ao redor das mesmas. Lixo consumido e vestígios de fogueiras muito próximas às árvores. E o que falar das pichações nas pedras? (vejam o vídeo que eu gravei sobre isso: https://youtu.be/TU6Kju3RbfQ ). São muitas!

“Em 2001, foi criado o Parque Natural Municipal de Grumari por intermédio do Decreto nº 20.149, de 02 de julho, com área aproximada de 804,73 ha, abrigando um dos últimos redutos do ecossistema de restinga da cidade do Rio de Janeiro.” Repetindo: abrigando um dos últimos redutos do ecossistema de restinga da cidade do Rio de Janeiro. Será que as pessoas sabem disso? Entendem o que isso significa para todos nós?

Olhei em alguns dicionários e umas das definições do termo “selvagem” são: “incivilizado, inculto, que nasce e cresce sem cultura”. De fato as pegadas deixadas pelos visitantes do trecho que visitei são mesmo de pessoas que não tiveram ou não exercitaram nada do conceito de cultura e civilização. Mas o que é pior: essas pessoas não encaram esse patrimônio natural como herança e não se preocupam em conservá-las para as gerações futuras. Arrisco dizer que a maioria dos que freqüentam o lugar nem sabem que se trata de uma Unidade de Conservação Ambiental. Ou pior: nem sabem o que é uma Unidade de Conservação.

Está mais do que na hora de mudar essa concepção... ou falta da concepção correta. A criação das Unidades de Conservação pelo SNUC foi um grande avanço para conservar nosso patrimônio natural. Mas se as pessoas não estiverem informadas e orientadas como reza o decreto já mencionado nada poderá ser feito. É muita gente degradando e destruindo a natureza para poucos conscientizados. O que é mais triste é que nessa batalha todo mundo sai perdendo: a natureza, os ambientalmente civilizados e os ‘selvagens’ destruidores do meio ambiente.

 

Por Vivi Trilhas

 

Fonte: Decreto nº 20.149, de 02 de julho de 2001.

 

 

Pedra do Telégrafo – por que não????

 

Por um turismo sustentável!

 

Situada na Unidade de Conservação Parque Estadual da Pedra Branca, mas precisamente em Barra de Guaratiba, essa pequena pedra pontiaguda está situada num ponto estratégico do Parque de onde podemos ter uma vista espetacular das praias selvagens do Rio de Janeiro:  Praia do Meio, Funda, Grumari, Recreio, e também a Pedra da Gávea. De outro ângulo também pode-se avistar a belíssima Restinga da Marambaia.

A Pedra do Telégrafo ficou famosa devido à ilusão de ótica que ela proporciona possibilitando fotos inusitadas que dão a impressão de que as pessoas estão penduradas num abismo ou precipício. As fotos ficam “iraaaadas”! Essas fotos viralizaram nas redes sociais e logo um jornal de grande circulação falou sobre o lugar.

O lugar ficou tão famoso que hoje em dia (e já há algum tempo) há filas para tirar foto na Pedra. A trilha, mesmo, leva cerca de meia hora para ser percorrida, embora seja íngreme. Visitantes disseram ao jornal que demoraram mais na fila para tirar a foto que para fazer a trilha. E quando se diz “demoraram” leia-se de 1h30 a 2h00.

“A degradação vem junto com as pessoas e por isso a gente faz um trabalho de conscientização para que ninguém deixe lixo na trilha, por exemplo”, palavras do diretor da ONG Amigos do Perigoso ao referido jornal. Sim, ele está corretíssimo. A onda de massa humana visitando a Unidade de Conservação (UC) naquela Pedra tem trazido degradação ao meio.  Mas o problema não está apenas no lixo.

A Unidade de Conservação do PNM de Grumari deve ser uma ferramenta de sensibilização dos seus visitantes para a importância desse lugar e seus atributos naturais, históricos e culturais. Uma das principais funções de uma Unidade de Conservação é conservar a biodiversidade.

Será que essa multidão que está visitando o parque tem se sensibilizado quanto  à importância dessa UC? Eles estão usufruindo de educação ambiental, aprendendo a interpretar o meio onde está visitando? A educação ambiental se resume a não deixar lixo nas trilhas? E o fato de não deixar lixo não gera impacto negativo?

As pessoas precisam entender que só o fato de pisarmos numa trilha já estamos interferindo no meio e causando impacto. Um turismo consciente administra esses impactos para torná-los os menores possíveis. Levar grandes grupos para uma trilha não é uma boa prática. E mesmo que você leve duas pessoas com você se juntar à multidão de nada adianta. A norma NBR-ABNT 15505-1:2008 para Turismo de Aventura diz que pode-se conduzir no máximo até 20 pessoas desde que com esse número haja 3 condutores para garantir a segurança do grupo. No entanto, ela também diz que por “razões ambientais podem requerer a redução do tamanho do grupo de clientes. Convém que se leve em consideração práticas de mínimo impacto consagradas”.

Agora pergunte-se: ir à lugares como a Pedra do telégrafo para tirar uma foto bacana, enfrentando filas e degradando o meio natural encaixa-se num turismo sustentável? Nossa interferência ali tem ajudado a conservar o parque?

Muitos clientes já me perguntaram por que não crio eventos para a Pedra do Telégrafo. Os motivos foram apresentados de modo mais profundo aqui, mas há muito em que se aprofundar para que todos entendam melhor. Porém, eu iria me estender muito.

Se sou contra as fotos? Claro que não! Adoro tirar fotos em paisagens espetaculares. Mas o meu trabalho como Guia de Turismo em meio natural é promover a sustentabilidade, desenvolver a consciência e educação ambiental para que as gerações futuras possam usufruir do que usufruímos hoje. Se as coisas continuarem como estão as trilhas que curtimos hoje não existirão para os nossos filhos e netos.

 

Fontes: INEA, Abeta, ICMbio

 
Em destaque a pedra onde todos querem posar!
 
 
 
 
 
 
MochiLEIRO X MoLIXEIRO
 
 
Comecei a fazer trilhas há muito pouco tempo, cerca de 5 anos atrás. Mas trilhas pesadas são mais recentes. O que chamamos de "pesadas" são aquelas que exigem um esforço maior, com terrenos íngremes, com inclinação forte, trepa pedra, escalaminhada ou por ter longo percurso por áreas isoladas. Mas, na verdade, o que pode ser pesado pra mim, pode ser leve ou moderado para outra pessoa. Isso depende muito. Há trilhas indiscutivelmente difíceis para qualquer um ou impossíveis para certo grupo de pessoas.
 
Mas quando comecei a fazer trilhas mais desgastantes, que exigiam um esforço muito maior de mim, comecei a gostar. Não apenas pelo desafio e\ou superação. O motivo maior de curtir essas trilhas pesadas é que você tem uma oportunidade maior de se isolar na natureza. 
Uma trilha urbana (Floresta da Tijuca, Morro da Urca, Pedra Bonita - e até a pesada trilha da Pedra da Gávea - dentre outras) é um chamariz de pessoas que caíram no "modismo natureba". Muitas fazem essas trilhas regadas a churrascos e bebidas alcoólicas só porque virou moda passear no mato.
Talvez alguém possa se ofender com esse post, mas sinto necessidade de expor isso aqui. Talvez possa servir para conscientizar alguém. Não sou contra churrascos ou bebidas (gosto até de uísque sem gelo!), sou contra a falta de consciência de alguns.
Então percebi que quanto mais distante e mais difícil for o acesso, menos chances tem-se de encontrar os 'neo-naturebas fanfarrões'. Num território isolado, de difícil acesso, você não vai encontrar alguém com um rádio ouvindo funk nem música clássica. Você vai ouvir os sons de pássaros, da água cristalina de um rio ou o farfalhar do vento entre as árvores. Você vai se encontrar com a sua origem, com a sua essência. É isso que eu defendo.
Quando fui ao Pico da Bandeira pela primeira vez fiquei embevecida com o que vi. Mas foi lamentável ver lá mesmo no Pico várias garrafinhas de água mineral vazias jogadas entre a vegetação. No retorno, encontramos uma garrafa de vinho vazia jogada na trilha. Já que bebidas alcóolicas são proibidas em Parques Nacionais, cadê a fiscalização efetiva disso?
Em lugares mais remotos, encontramos menos lixo. Mas ainda assim encontramos. O que posso concluir (e você há de concordar comigo) é que onde o ser humano tem acesso ele dá um jeitinho de sujar. E isso é deprimente. Chego a pensar que áreas em que o trekking ou hiking são proibidas devem permanecer proibidas, tendo em vista que o homem não tem consciência ecológica. Ou a maioria não tem. 
No início da minha história com as trilhas ou montanhismo, eu não pensava exatamente assim. Fui aprendendo aos poucos a me conscientizar. Evito programas que envolvam certas confraternizações regadas a álcool, churrascos e afins na natureza. Não quero contribuir para sujar o meio ambiente mais do que já está sendo poluído. Ver a natureza intocada e suas maravilhas é que me dá verdadeiramente prazer. Mas se for para ir para o meio do mato e causar danos, por mínimo que seja ao meio ambiente, melhor não ir. Na verdade, já geramos impacto só pelo fato de estarmos na trilha. Então, por que acentuar isso ainda mais?
Os mochileiros deveriam ser os primeiros a zelar pela natureza, a defendê-la não em palavras, mas com unhas e dentes na vida real. Os mochileiros deveriam ser todos "ecochatos" para os "sem-noção" fanfarrões de trilhas que andam por aí. Mas infelizmente, muitos deixam lembranças desastrosas de sua passagem em determinados paraísos. 
Que cada um de nós façamos a nossa parte. Não deixe lixo na trilha. Não deixe papel higiênico só porque é biodegradável. Não abandone sua garrafinha vazia pelo caminho. Se você levou coisas para comer, você pode trazer de volta na mochila o que sobrou ou suas embalagens vazias. Não faça suas necessiades fisiológicas perto de fontes de água. Não faça fogueiras, não arranque plantas. não se preocupe se estão lhe chamando de chato!
Seja consciente e ajude a preservar a natureza, pra valer!
 
Vivi Trilhas
 
 

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